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domingo, 16 de dezembro de 2012

Carta

"esmago a mão contra o papel
as letras saem devagar;
soluçadas, as palavras.

não, eu queria escrever-te,
só não me lembro é
como se faz."

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Anuncio de Jornal (2)


"Perdeu-se:

Livreira; não sabe onde se esqueceu de si mesma.
É provável que tenha deixado partes por aqui e por ali.
Perdeu a alma a semana passada (esta com certeza só voltará quando a "casa" estiver unida), e com ela centenas de livros. A poesia que unia como cola os membros inferiores e superiores ficou gasta e talvez estes tenham caído em esquinas insuspeitas.
Eventualmente a cabeça ficou num banco de um café triste, perdida no meio de conversas sem fio de meada.
O coração ficou esquecido num táxi tardio, dado em troca de moedas que faltavam.
A roupa sendo apenas um adereço, sem corpo, deixou-se ficar pelo chão de ruas gastas.
Existe um ligeiro pressentimento que os olhos tenham ficado no alto de uma rocha a contemplar um céu sem luar.
O reconhecimento de qualquer pedaço da livreira é imediato, tem aspecto de papel amarelecido, já gasto do uso que dá no manuseio e na arte de amar letras e gentes.

A quem encontrar? Devolver toda e qualquer parte na seguinte morada: perto ou longe de lugar nenhum. "

MP

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Anuncio de Jornal


"Troco e/ou dou:

Coração, eventualmente tornado papel depois de tantos anos em contacto com este. Poderá, eventualmente, ter um aspecto de livro amolgado por demasiado uso.
(Pode ser possível encontrar algum pó.)
Certas feridas estão ainda frescas, com suturas coloridas, mas delicadamente cerzidas. 
Poderão ver-se quer do lado esquerdo, quer do lado direito, algumas leves cicatrizes de anos passados.
Uns dias parece jovem, mas outros pesa tanto como as raízes de uma árvore centenária. 
Tirando o arritmar de vez em quando, funciona na perfeição.
Existe uma ligeira incerteza quanto ao completo funcionamento da corrente sanguínea. 
É amplo, arejado e ainda cabem muitas vivências e experiências.
Motivo da troca e/ou doação? A portadora tem medo que de tanto bater, ele pare."

terça-feira, 20 de novembro de 2012

à espera


"isso que me escorre pelos dedos
não sei, penso: é mais um pouco de vida.
aos poucos
sinto o corpo mais leve,
é quando a morte se aproxima. dizem.
deixo-me estar
sentada
não me movo
vejo passar todas as caras
enojo-me um pouco mais
e a vida continua
a fugir pelos dedos
como areia fina"


domingo, 18 de novembro de 2012

Náusea (2)

A livreira não é de todo, deste tipo de coisas, mas por vezes, certos seres humanos são tão rastejantes que enfim...
Escrever num blogue para tentar passar algo subliminar é muito triste. 
Um poema cheio de ódio não é nunca um poema, porque pura e simplesmente além de mal escrito é somente redigido a uma pessoa, isso não é poesia, é uma mensagem.
Um blogue onde abundam copy/past ainda por cima mal feitos, é de uma pobreza indizível; além do mais a falta de conhecimento é tão gritante, que tornam cada post numa anedota.
A um aconselho terapia, a outro ler muitos e bons livros. 

(peço desculpa aos meus leitores por este triste post. As coisas boas seguem dentro de momentos.)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Janela


The Girl by the Window, 1893

Edvard Munch (Norwegian, 1863-1944)




"Aquela janela...
embala-te enquanto cantas, pedia.
mostra-me: as tuas formas humanas,
o disparate que é a tua vida
esse lento respirar de aceitação
de um ar que está cansado,
a luz que se filtra pelas janelas
e suaviza a escravidão do aposento,
o amargo matar dos minutos em horas
descontadas em dias tão iguais,
a condensação que se eleva
da panela da sopa que te alimenta,
as vozes que te rodeiam e matam o teu cantar.
roubo-te a intimidade com o meu olhar?
desculpa."