quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Rui Pires Cabral (2)

"Do coração da noite vinham apelos e silêncios."


As cidades doem, estão dentro de nós
mantidas por laços de fumo e desejo,
têm muros úteis e portas escondidas
que dão para a noite, como certos livros,
e há amores que vivem a horas tardias


e outros que se cortam no fio da trama
queimam paus de incenso para abrir
caminhos, remover obstáculos, há curvas
e arcos, ecos desolados, quartos de ninguém.
As cidades cansam, estão nos nossos


dias, têm mil janelas de azul vitral
que nunca sossegam e nunca terminam
e há corpos que ensinam a temer a morte,
sombras que circulam nas redes do escuro
e homens que ferem para não chorar."

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